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segunda-feira, 16 de abril de 2012

28 semanas

Mais uma semaninha! Esta semana teve pouco que contar - muito trabalho durante a semana e um fim-de-semana na preguica. O Nicolau-Odorico continua a crescer a olhos vistos e estamos ansiosos por lhe dar mais uma espreitadela na proxima consulta que e ja esta semana.

Fica a foto do costume, desta vez tirada no parque de Monterrey no Sabado para mostrar que ja estamos em plena primavera no Luxemburgo!

Beijinhos e abracos,
V&J

domingo, 15 de abril de 2012

Nome do dia: Odorico

Nome do dia


Odorico

Palpita-me que muitos torcerão o nariz a esta sugestão, mas sem razão, como demonstrarei.

Em primeiro lugar, Odorico é um nome de impecável origem anglo-saxónica, da família dos nomes terminados em “rico”, como os notabilíssimos Frederico, Alberico, Cedrico e Ulrico, por exemplo. A esta família pertencem também nomes que, não terminando em “rico”, deviam terminar, se não fosse a evolução gráfica e fonética que ao longo dos séculos foram sofrendo, tais como Henrique e Rodrigo. Na origem, todos estes nomes, lá no alto alemão de onde provêm, contêm o elemento “rich”, que significa, não rico, como precipitadamente poderíamos supor, mas sim “rei” ou “chefe” ou “comandante”, aquele que está no topo da hierarquia do poder. A parte variável do nome qualifica o tipo de chefe que estamos a contemplar. Vejamos. Frederico vem de Friedrich = fried + rich; “fried” significa “paz”, logo Frederico é o chefe pacífico ou aquele que governa em paz ou ainda aquele que faz da busca da paz o objetivo do seu governo. Bonito nome, portanto. Alberico vem de Elberich = elbe + rich, “elbe” significa “gnomo”. Os gnomos são seres mágicos, que protegem a natureza e guardam os tesouros íntimos da humanidade, http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnomo. Portanto, Alberico seria o rei dos gnomos, o que também é interessante, mas não confundamos com o execrável Leitão de Carqueja. Ulrico é a forma portuguesa do alemão Ulrich, o qual provém do antigo Udalrich = udal + rich: “udal” significa “nobre”. Logo, Ulrico é um chefe nobre. O caso de Cedrico é ambíguo: tanto pode ser “chefe famoso” com “chefe guerreiro”. Para o gaiato optaríamos, em segunda escolha, pelo segundo sentido, é claro. Henrique provém de “Heimirich” = “heim” + “rich”. Ora “heim” significa “casa” (interessante: deve ter a mesma origem que “home”, em inglês), pelo que Henrique será o rei da casa, o que imediatamente faz da tia Di a rainha, como nós todos estamos fartos de saber. Rodrigo provém de Hruoderich = hruod + rich; “hruod” significa fama, pelo que Rodrigo será um chefe famoso, mas a sua fama deve ser diferende da de Cedrico. A propósito, o nome Rui, sendo um diminutivo de Rodrigo, muito usado autonomamente nos países de língua espanhola ou de língua portuguesa, e por vezes grafado com ‘y’ no fim, também pertence a esta família, portanto, ainda que indiretamente. Podemos concluir, aliás, que Rui é um chefinho famoso ou então um chefe pouco famoso, sem desprimor para o Tio Rui, é claro.

E onde é que isto nos deixa em relação a Odorico? Pois bem: a minha investigação permitiu-me concluir que Odorico provirá de Ottorich = “otto” + “rich”; “otto” significa “rico”, e portanto o nosso Odorico será um chefe rico ou um rico chefe, e ambas as aceções são muito vantajosas. Reparem bem na dinâmica do nome: Odorico, em português, é odo+rico, mas “odo” significa “rico” e “rico” significa “chefe”. Temos portanto um nome que encerra em sim mesmo um significado impertinentemente cabalístico.

Outra particularidade notável de Odorico é ter três ocorrências da letra ‘o’, caso raríssimo na nossa língua e em qualquer outra língua, suspeito. Sendo esta letra ‘o’ a primeira que se aprende a escrever, a sua abundância em Odorico contribuirá decisivamente para que o gaiato se esmere nos seus ós, desenhando-os bem redondinhos logo de início, o que só pode levá-lo a desenvolver desde muito cedo um apurado sentido estético. Além disso, por esta via, será dos primeiros da sua aula a saber escrever o nome, o que lhe dará uma vantagem competitiva, que o pai, estudioso de marketing, não deixará de querer aproveitar.

Infelizmente, e, porque não dizê-lo, incompreensivelmente, Odorico é um nome muito pouco popular. Está mesmo na lista de nomes em perigo extinção iminente. Por isso, é nossa obrigação defendê-lo e promovê-lo, para que ele se torne frequente, e possa ombrear com Henrique, Frederico ou mesmo Rodrigo, assim enriquecendo a nossa língua, no setor dos nomes próprios.

Existe apenas um Odorico digno de referência (em breve passará a haver dois, logo que o gaiato comece a fazer das suas): Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, personagem central de “O Bem Amado”, telenovela de Dias Gomes, realizada em 1973, com Paulo Gracindo no papel principal.



“O Bem Amado” é talvez a melhor telenovela de todos os tempos, http://www.youtube.com/watch?v=_CiFORIJ6To. Foi escrita por Dias Gomes a partir de uma sua peça teatral, de título “Odorico, o bem-amado, ou os mistérios do amor e da morte”. Recentemente, em 2010, a história foi reformatada para formato filme, com um novo elenco, bem entendido: http://www.imdb.com/title/tt1410297/Watch the trailer:http://www.youtube.com/watch?v=F7h--OgFH7A.

É verdade que Odorico Paraguaçu não é um personagem muito recomendável e não desejamos que o gaiato, se optar por se dedicar à política, use os métodos do seu homónimo sucupirense. No entanto, esperamos que dele herde a elegância e sobretudo a eloquência. Veja-se por exemplo, o célebre discurso de Odorico Paraguaçu durante a campanha eleitoral, um exemplo que todos os políticos deviam estudar com atenção: http://www.youtube.com/watch?v=wvJY8RvWby4.

Odorico Paraguaçu foi também um grande inovador na língua portuguesa: devemos-lhe o conceito substantivo de “finalmente” que ele magistralmente cunhou no seu famoso slogan “deixemos de lado os entretantos e partamos para os finalmentes!” (no original: “vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmente”). Outra sua frase célebre, que também não devemos esquecer, sobretudo nos momentos de desânimo, é “cada problemática tem uma solucionática”.

Temos a certeza de que o pai e a mãe do nosso Odorico saberão ensiná-lo a distinguir o bem e o mal e a procurar as soluções justas para os problemas que a vida há de trazer, socorrendo-se de Odorico Paraguaçu como estudo de caso, sempre que isso puder ajudar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nome do dia: Nicolau

Nome do dia

Nicolau

Dificilmente poderíamos arranjar um nome melhor do que este. Provém do grego antigo Nikolaos, que é formado por duas palavras: “nike”, que significa “vitória”, e “laos”, que significa “povo”. Logo, Nicolau deveria significar “vitória do povo”. No entanto, peritos em grego antigo que consultei esclarecem que o Nicolau é sim aquele que conduz o povo à vitória. Não confundamos com Nicodemos, que tem o mesmo “nike” e o onde a segunda parte é “demos”, palavra grega que bem sabemos também querer dizer povo, ou não seja democracia o governo do povo (isto é, o governo exercido pelo povo). Logo, Nicodemos também será vitória do povo ou, igualmente, aquele que conduz o povo à vitória. Explicam-me os peritos que a diferença entre Nicolau e Nicodemos é uma questão de nível: no primeiro caso, povo é usado no sentido alargado de nação, é uma conceito em grande escala; no segundo, povo aproxima-se de sociedade, conjunto de cidadãos. Ou seja, Nicolau é um líder popular enquanto Nicodemos é um líder político. Entre um e outro, optamos pelo primeiro, não só pelo significado intrínseco do nome, como também por ser bafejado com aquele sonoro ditongo decrescente “au” no final, rimando perfeitamente com a palavra inglesa “now”, o que lhe garante um imediato reconhecimento internacional.

A parte “nike” de Nicolau é, como todos sabemos, o nome de uma das marcas mais famosas do mundo. Tenho a certeza que o gaiato adotará como seu o famoso logótipo:


É também um nome que dará muito jeito aos pais: quando o gaiato se armar em sonso e se recusar a cumprir uma ordem maternal ou paternal, bastará dizer-lhe com tom firme: "Nicolau, just do it"!

Em Portugal, o Nicolau mais conhecido é o Breyner. Vai em breve começar uma telenovela onde ele entra, chamada Louco Amor (que, convenhamos, é um belo nome para uma telenovela, tão bom que já houve uma novela brasileira assim chamada…) Nós, que somos fãs deste Nicolau, só esperamos que ele não morra logo no primeiro episódio, como aconteceu no Remédio Santo. É verdade que até o gaiato dar nas vistas, para o que não deve faltar muito, o Breyner praticamente tem o exclusivo do nome entre nós. Esclarecedoramente, um dos seus programas mais populares chamava-se precisamente “Eu Show Nico”, que foi para o ar em 1988. Para o caso de não conhecerem, selecionámos o episódio dos piratas, que os pais do gaiato deverão guardar para lhe mostrar quando ele não quiser comer a sopa.http://www.youtube.com/watch?v=KOCyXO6W5Wc.

Além disso, em vez da pusilânime cantilena “atirei o pau ao gato”, que é altamente indesejável, pelo seu apelo à violência contra os animais e pelas impróprias referências à morte, os pais, logo que possível, ensinarão ao gaiato a linda canção com que termina o episódio dos piratas, a qual encerra uma bela lição de vida:

Somos piratas,
Só não trazemos as gravatas.
Não sabemos fazer nós.
Há mais piratas
E com gravatas,
Que usam luvas,
Mas piratas somos nós!


A nível mundial, o Nicolau mais famoso (e bota famoso nisso!) é o São Nicolau de Mira, mais conhecido por Santa Claus ou por Pai Natal. Não confundamos: esta Mira não é a do distrito de Coimbra, conhecida pela sua bela praia, nem tem relação com Odemira, bonita vila alentejana nas margens do rio Mira, não longe de Colos, terra natal da tia-avó Luísa. A Mira do São Nicolau era uma cidade importante na Lícia, uma região histórica da atual Turquia, perto da turística Antalya, tão requisitada por alemães e, quem sabe, por luxemburgueses também.

As razões que levaram o bom do São Nicolau a trocar as belas praias da solarenga Riviera turca pelas geladas tundras da setentrional Lapónia continuam a ser um dos segredos mais bem guardados do Vaticano, que nem Dan Brown nem José Rodrigues dos Santos se atreveram a pôr em causa. O que é certo, como o gaiato aprenderá desde muito cedo, é que é da Lapónia que o São Nicolau parte cada ano para a sua meteórica viagem natalícia, transportando em rápidos trenós puxados por renas resmas de coloridos presentes para todos os gaiatos que se portaram bem. O nosso gaiato não facilitará e, partilhando o nome com o santo, sentirá a responsabilidade acrescida de se portar duplamente bem, comportamento esse que fará os pais bendizer a hora em que aceitaram esta nossa sugestão de nome. Só esperamos que a mãe do gaiato respeite a tradição e não passe a encomendar as prendas para o gaiato na Amazon, em vez de confiar nos serviços do santo. Santo este que, na devida altura, será responsável pela primeira grande desilusão da vida do gaiato, é verdade, quando ele descobrir que as prendas natalícias afinal não vêm da Lapónia, vêm sim da dita Amazon, ainda por cima com free delivery.

As principais atrações das ruínas de Mira são os túmulos na rocha, deveram impressionantes:


Há também uma igreja de São Nicolau, em Mira (atulamente chamada Demre ou Kale). São Nicolau era bispo de Mira e a igreja terá sido construída para albergar o seu túmulo. A igreja sofreu maus-tratos ao longo dos tempos, é claro. A que hoje podemos visitar corresponde essencialmente à estrutura do século VIII. http://www.sacred-destinations.com/turkey/kale-church-of-st-nicholas-myra.htm.

Onde também há uma igreja de São Nicolau é em Lisboa, na Baixa, muito perto da casa da tia Di:


Aliás, a tia Di reside na freguesia de São Nicolau, que é a freguesia que ocupa a parte central da Baixa: portanto, quando o gaiato for passar uns dias a casa da tia poderá dizer, com justificado orgulho: vou para a minha freguesia. Por outro lado, com a iminente fusão de freguesias, pode acontecer que a freguesia de São Nicolau deixe de existir, sacrificada às cegas e injustas exigências da troika.

Esta feliz coincidência de nomes, entre o gaiato e a freguesia da tia, sugere que o batizado se realize precisamente na igreja de São Nicolau, na Baixa. A tia com certeza irá falar com o padre, já que os pais do gaiato estarão no Luxemburgo, e depois o lanche será no quarto andar do número 101 da rua dos fanqueiros, logo ali ao pé da igreja, o que dá muito jeito porque se pode ir a pé.

Note-se que São Nicolau é o padroeiro das crianças e dos estudantes da instrução primária. Atendendo a que já observámos que Santo Isidoro é o padroeiro dos estudantes universitários, pode ser prudente, pelo sim pelo não, dar ao gaiato o nome duplo Nicolau Isodoro, pois assim o sucesso nos estudos fica praticamente garantido.

Descontando o santo e o Breyner, o Nicolau mais notável é o Copérnico.


Nicolau Copérnico, que nasceu na atual Polónia e viveu entre 1473 e 1543, estabeleceu a teoria heliocêntrica do sistema solar, segundo a qual os planetas descrevem círculos à volta do sol, o qual, portanto, é o centro do universo; o centro da terra é apenas o centro da gravidade e do círculo desenhado pela lua. Parece que as ideias de Copérnico, sem serem propriamente rejeitadas, não se tornaram dominantes. Aliás, a teoria de Tycho Brahe, uns anos depois, sustentava que a terra estava parada, o sol girava em torno da terra e os outros planetas giravam em torno do sol. Já no início do século XVII, Galileu retomou as ideias de Copérnico, acrescentando-lhes evidência experimental e metendo-se em sarilhos com a inquisição, como sabemos. A seguir veio Newton, que, já na parte final do século XVII, explicou tudo, com a teoria da gravitação universal.

Na nossa literatura, brilha Nicolau Tolentino, fino poeta satírico do século XVIII, autor do soneto mais popular da seleta de português do segundo ciclo, nos meus tempos do liceu, o soneto do colchão desaparecido:

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
– «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

 – «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...
 
No setor desportivo, o Nicolau mais importante é Nicolau de apelido: José Maria Nicolau, indubitavelmente um dos maiores ciclistas portugueses de todos os tempos. Os seus despiques com Alfredo Trindade, o seu rival e amigo sportinguista ficaram famosos e estão na origem da própria rivalidade entre os dois grandes clubes de Lisboa. http://www.youtube.com/watch?v=lUVED8yACCo. Nicolau venceu a volta em 1931 e 1934 e ainda hoje é considerado um ícone do benfiquismo. Aliás, como escreve um adepto no blog serbenfiquistade “quando o Benfica era Benfica! Quando o Clube era Grande em todos os sentidos! Saudades...”. Por seu lado, Trindade venceu a volta em 1933 e 1936 e “foi a primeira grande referência do ciclismo leonino”, a maior antes de Joaquim Agostinho. Se hoje Benfica e Sporting são o que são, em muito o devem a este par de grandes desportistas cartaxenses.

 .

Sei que a mãe do gaiato, com a sua costela benfiquista (que, esclareça-se, seguramente não herdou do avô materno do gaiato) será sensível a este Nicolau. O mesmo não posso dizer do pai do gaiato, que, sendo rapaz de muitas qualidades, não é perfeito (sei bem que a minha comadre discordará desta minha avaliação) e não deixa de ser um lagarto ferrenho. Aliás, temo que o pai, em contrapartida de Nicolau, exija que o secundogénito se chame Alfredo. Não acho mal, pois Alfredo também é um belo nome. Não vem ao caso, mas um dos meus filmes italianos favoritos é precisamente o “Alfredo, Alfredo”, com o Dustin Hoffman ainda novito.

Ator, santo, astrónomo, poeta, ciclista ou o que ele quiser: qualquer que seja a carreira que o gaiato escolha, ele tornar-se-á certamente uma referência e um ícone, tal como os seus cinco homónimos de hoje.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

27 semanas

Alo!

Enquanto esperamos que avance o alfabeto, aqui fica o update das 27 semanas. Aka: o inicio do terceiro trimestre! A barriga continua a crescer e o gaiato vai dando pontapes quando eu como chocolate, portanto a Pascoa foi animada. Este fim-de-semana foi comprido, gracas ao feriado de 'segunda-feira de Pascoa' aqui no Luxemburgo, que tambem foi dia de 'bird whistle festival', uma feirinha no centro da cidade onde se vendem sobretudo apitos a imitar passarinhos. Only in Luxembourg! Para alem disso os pais do gaiato aproveitaram o fim-de-semana para ir fazer compras, montar cortinas no quarto, contar roupinhas de bebe, e cozinhar um mega Easter brunch com direito a scones de queijo e fiambre, muffins de noz e chocolate e french toast com blueberry compote. Yum!

E hoje, para acabar o fim-de-semana em grande, soubemos que do lado dos Tios Duarte e Ines se confirma UM PRIMO para Outubro, com quem o Mauricinho ja planeia grandes conversas via skype e tropelias em Cabrela.

Fica a foto habitual para o registo... (e para os mais atentos que repararam que falhamos o update das 26 semanas eu prometo um catch up em breve - e que as 26 semanas foram passadas em Amsterdao, por isso tem direito a fotografias extra que e preciso escolher!)

Beijinhos,
Vera

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Nome do dia: Maurício

Nome do dia

Maurício

Este é, sem dúvida, um dos nomes portugueses mais bonitos e mais bem sonantes. Começa pela elegante e sinuosa consoante ‘m’, que é a letra maternal, e tem dois ditongos, característica rara: primeiro o belo ditongo decrescente “au” e no fim o primoroso ditongo decrescente “io”. Pelo meio temos um suave mas maroto ‘r’ e um sibilante e atrevido ‘c’.

Além disso, é uma palavra esdrúxula, o que é sempre muito bom, excetuanto a necessidade do acento, que o acordo ortográfico não conseguiu eliminar. Mesmo assim, uma vez que a letra que precisa de ser acentuada é um ‘i’ e já tem bolinha, a presença ou ausência do acento nota-se menos.

Finalmente, a primeira sílaba é “mau”, que nos remete imediatamente para esse grande líder entre nós conhecido por Mao Tsé-Tung, que nos deixou tantos ensinamentos preciosíssimos tais como “o comunismo não é amor: é um martelo com o qual esmagamos o inimigo” (não te esqueças, Maurício), “as diferenças entre amigos apenas reforçam a amizade”, “a guerrilha deve mover-se por entre o povo tal como os peixes se movem no mar”, “a rã, no fundo do poço, pensa que o céu é um pequeno círculo azul; se subisse à superfície, ganharia uma perspetiva completamente diferente”. Portanto, não podemos augurar ao nosso gaiato senão uma ilustre carreira política: quem começa pelo marxismo-leninismo-maoismo, mais cedo ou mais tarde vai parar a Bruxelas. Não, não foi o Mao que disse isto, fui eu mesmo.



A palavra “Maurício” corresponde nitidamente ao latim “Mauricius” que, por sua vez, é a versão estendida de “Maurus”. Ora a palavra latina “maurus” provém do grego antigo “maurus”, que tem vários significados, entre os quais “escuro”, que foi o que prevaleceu em latim. Ou seja, Maurício significa “que tem a pele escura”. Aliás, da palavra latina “maurus” deriva também a palavra “mouro”: os mouros eram assim chamados pelos outros, porque tinham a tez mais escura, não porque viessem da Mouraria!

Se o nosso gaiato não vem da Mouraria, mas sim do Luxemburgo, a verdade é que o avô materno nasceu nesse típico bairro lisboeta, cujo nome evoca os seus moradores de há um milénio atrás. Portanto, Maurício é um nome que corre na família.

Como se isso não bastasse, do lado desse mesmo avô materno, cujas raízes são algarvias, o gaiato receberá muito sábios genes mouriscos, pelo que o nome é duplamente bem aplicado.

Através do nome Maurício, os mais argutos reconhecerão também uma homenagem àquele que é o português mais bem sucedido da atualidade, José Mourinho. De facto, o apelido “mourinho” significa com certeza “mouro pequeno”, e daí a ligação. Mas atenção que o nosso gaiato não será apenas um mourinho; há de sim ser um mourão!

Portanto, para inspiração, o gaiato pode usar o Mao e o Special One. Se isso não lhe bastar e se tiver queda para a música, escolherá o Maurício Ravel, célebre compositor francês, autor daquela obsessiva peça “Bolero” (e de muitas outras também), que alguns de nós associamos com saudade à Bo Derek no emblemático filme “10”, título difícil de entender à primeira, e que foi traduzido para português pela bem descritiva e apropriada mas um tanto pirosa expressão “Uma mulher de sonho”. Watch the trailer: http://www.imdb.com/video/screenplay/vi2545746201/


O gaiato orgulhar-se-á do seu nome Maurício e achará muita graça a haver um país com o seu nome. Na verdade, em português é costume chamar Maurícias a esse país, no plural e no feminino, porque, pensamos nós, ocupa várias ilhas, as ilhas Maurícias. Não é bem assim: o nome oficial do país é Republic of Mauritius, ou seja, a república do Maurício, e não das Maurícias, http://www.mauritius.net/. Na verdade há um arquipélago, no oceano Índico, a leste de Madagáscar, chamado ilhas Mascarenhas. As ilhas principais são é a ilha Maurício, que com mais algumas ilhas constitui um país independente, e a ilha da Reunião, que faz parte da União Europeia, por ser território francês. O nome do arquipélago foi-lhe dado em lembrança do navegador português Pedro Mascarenhas, que por lá passou em 1512. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Mascarenhas_(1470).

Na verdade, a ilha da Reunião e a ilha Maurício foram descobertas por outro navegador português, Diogo Fernandes ou Diogo Fernandes Pereira, http://en.wikipedia.org/wiki/Diogo_Fernandes_Pereira. No decurso de uma expedição à Índia, o Afonso de Albuquerque ter-se-á desentendido com o almirante Tristão da Cunha, que mandou a frota fazer uma paragem exploratória em Madagáscar, e optou por seguir diretamente para a Índia, contornando pela direita a ilha (de Madagáscar) então chamada ilha de São Lourenço, colocando o seu navio, o Cisne ou o Cirne, sob o comando de Diogo Fernandes. Na sua volta, Diogo Fernandes deu com a ilha agora chamada da Reunião, que ele batizou de ilha de Santa Apolónia (porque lá chegou no dia dessa santa, 9 de Fevereiro) e depois, navegando para leste descobriu a ilha agora chamada Maurício, a que, por falta de nome de santo disponível, deu o nome do seu navio: ilha do Cirne.

Como nós sabemos, naquela época, os portugueses queriam era a Índia e não se preocuparam em colonizar aquelas ilhas perdidas no meio do mar, onde não havia nem pimenta nem canela. Mais tarde, em 1598 chegaram os holandeses, que deram à ilha o nome que com que ela ficou, em honra do príncipe Maurício de Nassau, que na altura era o “governador” das “províncias unidas dos países baixos”, http://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_of_Nassau,_Prince_of_Orange. Este Maurício distinguiu-se militarmente por andar à traulitada com os espanhóis durante muito tempo, precisamente da altura dos Filipes. Não sabemos se devemos aplaudir, porque os Filipes eram os Filipes, ou protestar, porque nos ficou com a ilha e ao malhar nos Filipes estava também a malhar-nos em nós.

A bandeira de Maurício é simples e colorida e o gaiato há de considerá-la como sendo a “sua” bandeira. Não há muitos nomes próprios que tenham uma bandeira associada e isto é um verdadeiro luxo que não podemos menosprezar.


Mas a república de Maurício não é a única intervenção importante do nome Maurício na geografia mundial: temos, na Suíça, St. Moritz, onde muitos de nós costumamos ir passar as férias de inverno, http://www.stmoritz.ch/. Ora Moritz é Maurício em alemão. Portanto, o gaiato assim já sabe onde passar férias: para a neve vai para St. Moritz, para o mar vai ou para Maurício ou para Cabanas.

O nome Maurício é muito mais difundido, nas suas variantes, do que poderíamos pensar. Por exemplo, em inglês medieval, Maurice era Morris. Esta palavra é facilmente reconhecida mas associamo-la não ao nome próprio que representa, mas sobretudo aos automóveis. Aliás, ambos os avôs do gaiato tiveram Mini Morris, o que temos de aceitar que só pode ter sido uma forte premonição.


Esta observação automobilística dá-nos a deixa para divulgar desde já o nome da mana que há de vir a seguir. Se o gaiato tem nome de carro, a gaiata também terá de ter: será Mercedes, sem dúvida.

Beijinhos

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Nome do dia: Leonardo


Nome do dia

Leonardo

Com Leonardo regressamos aos nomes tradicionais, de robusta origem germânica: com efeito, Leonardo não é senão a forma portuguesa do alemão Leonhardt, que, por sua vez, provém do prestigiado alemão antigo Lewenhart. Ora Lewenhart é formando pelas palavras lewen, que significa leão, e hart, que signfica forte. Logo, Leonardo quer dizer “leão forte” ou “forte que nem um leão”, como preferirmos. De uma maneira ou outra, é um nome que de sobremaneira agradará ao pai do gaiato, nado e criado em Telheiras, bairro de ferozes adeptos do clube que tem como símbolo precisamente um leão, e que cairá que nem uma luva ao gaiato, porque também ele há de ser forte que nem um leão, mesmo se for do Belenenses!

Apesar desta conotação futebolística proveniente do emblema sportinguista, os Leonardos são sobretudo artistas, começando logo pelo maior artista de todos: o da Vinci. Temos de reconhecer que a obra mais conhecida deste Leonardo primordial é a Gioconda. No entanto, não podemos deixar passar em claro a relação estreita entre ele e o ramo italiano da vetusta família dos Guerreiros, bem patente no famoso desenho que ele fez de um primo afastado do gaiato, desenho esse hoje pertencente à coleção do Museu Britânico, conhecido por Guerreiro de da Vinci, ou o Guerreiro do Capacete, http://www.britishmuseum.org/explore/highlights/highlight_objects/pd/l/leonardo_da_vinci,_bust_of_a_w.aspx.



Se nas artes pictóricas e nas engenharias em geral temos o da Vinci, na música temos o Bernstein. As duas gerações antes do gaiato terão travado conhecimento com este Leonardo através de uma série de TV dos anos 60, os concertos para jovens, que eram muito populares e tiveram uma grande influência sobre muita gente na altura. Se o gaiato vier a revelar algum jeito para a música, a origem disso pelo lado materno pode ser traced back até esses programas de televisão. Quem não se lembrar ou quiser documentar-se, pode adquirir os DVD em boxset na Amazon. É verdade que já na altura o Bernstein era muito conhecido por ser o autor da partitura do West Side Story, de onde vêm canções que todos trauteamos frequentemente: Maria (que poderia ter sido dedicada à avó materna do gaiato), Tonight, América (que poderia ter sido dedicada à mãe do gaiato), e ainda aquela canção que todas as miúdas deviam saber de cor, I Feel Pretty.



Ainda no capítulo musical, mas bem mais recente temos um outro Leonardo que também se distingue superiormente, ainda que num género diferente: o Leonardo Alberto Kravitz, mais conhecido por Lenny Kravitz. Sei que a mãe do gaiato é fã, porque eu próprio lhe roubei um CD de que ela se esqueceu quando emigrou. A propósito, quem quiser ver o Lenny ao vivo, só tem de vir ao Rock in Rio Lisboa, no dia 1 de junho. Não recomendo à mãe do gaiato, por motivos óbvios.

Passando para o mundo do cinema, temos o DiCaprio. Este Leonardo ficou conhecido especialmente quando fez o Titanic com a Kate Winslet, mas é sem dúvida um dos melhores atores da atualidade. Por isso, se o gaiato tiver queda para o cinema, tem com quem se emular. Aliás, o exemplo do DiCaprio é muito interessante: começou ainda gaiato em séries para a TV, que na altura terão passado despercebidas entre nós, fazendo jus ao sábio ditado “de pequenino é que se torce o pepino”, ditado este que, segundo creio, terá ficado injustamente esquecido na lista de ditados de 10 de setembro de 2011. Em inglês fica “from small little is that we twist the cucumber”, http://www.youtube.com/watch?v=iCCK7x_o5zk.

Outro ator Leonardo, com visual ainda mais reconhecível do que o do DiCaprio é o Nimoy, http://en.wikipedia.org/wiki/Leonard_Nimoy, the one and only Mr. Spock:



E, tal como o Spock dizia, que o gaiato possa viver muito tempo e prosperar!

Esta afinidade com o Mr. Spock é muito conveniente, pois a questão das máscaras de carnaval fica logo resolvida à nascença: bastará comprar umas orelhas de borracha em bico, que a avó do gaiato tratará de costurar a indumentária à Star Trek.

No mundo da ficção, além do Mr Spock, temos o Lockie Leonard, um herói para crianças, estranhamente pouco conhecido entre nós, criado pelo escritor australiano Tim Winton, http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,2110480,00.html. Há três livros do Lockie: “O torpedo humano”, “O caça-escumalha” e “Lenda”. Encontramo-los à venda na Amazon: http://www.amazon.com/Lockie-Leonard-Torpedo-Tim-Winton/dp/174094528X, http://www.amazon.com/Lockie-Leonard-Scumbuster-Tim-Winton/dp/0689822472/, http://www.amazon.com/Lockie-Leonard-Legend/dp/B001EY6X9S. Infelizmente, não há versões para Kindle, mas a mãe do gaiato tem tempo para mexer os cordelinhos certos lá dentro, ainda antes de o gaiato aprender as letras, mesmo sabendo nós que, olhando para o seu próprio exemplo, para tal não deva faltar muito tempo.

Os livros do Lockie Leonard deram origem a uma série de televisão, muito popular na Austrália, http://www.youtube.com/watch?v=5Mvn7ysteVU. Deve ser muito interessante, mas esperemos que o gaiato não se apaixone pelo país e não decida emigrar para lá, deixando os seus pais e avós na longínqua Europa.

Depois de tantos Leonardos artistas, não ficaria bem terminar sem dar o justo relevo a um outro, menos conhecido do público em geral, e que é um artista dos números: Leonardo Fibonacci, famoso matemático italiano do século XIII, hoje reconhecido por todos os estudantes de informática por via da sequência de números que tem o seu nome, aquela em que cada elemento é a soma dos dois precedentes [0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, …] No entanto, a sua importância não provém propriamente dessa sequência, que mais cedo ou mais tarde alguém havia de encontrar também, mas de ter sido ele o principal impulsionador da adoção na Europa do sistema de numeração árabe, que hoje usamos alegremente como se tivesse sido sempre assim. Não foi, e se hoje fazemos contas nas calmas, em grande parte, isso deve-se ao brilhante insight do Leonardo Fibonacci, no seu livro “Liber Abaci”, o “Livro da Contas”, http://en.wikipedia.org/wiki/Liber_Abaci. Este livro foi escrito em Latim, bem entendido, mas há uma tradução para inglês moderno, à venda na Amazon, pois claro,  (ainda que tenhamos de esperar que fique disponível).



Será preciso mais exemplos notáveis como estes para nos convencermos de que o gaiato tem de ser Leonardo?

Beijinhos

domingo, 1 de abril de 2012

Já está!


Nome escolhido! Depois de uma muito frutifera viagem a Amsterdão, hoje viemos no carro a decidir o nome da crianca e encontramos um vencedor. Só podia ser – Ze Manel!

Ora vejamos: 

  • Jose – como o mais famoso portugues da atualidade: O JOSE MOURINHO!
  • Jose Manuel – como o mais influente portugues europeu da atualidade: O JOSE MANUEL BARROSO
  • Ze Manel como o avô e a avó.


Cumpre as regras todas (exceto a do acento que nao faz muita falta) e presta as homenagens devidas sem presunçoes.

Tá feito. Ze Manel Sousa Guerreiro.

Beijinhos e abraços,

V e J